

Vestes da AlmaHá quem se diga ser o corpo, que é ele que tudo sente, mas o corpo é apenas palco, cenário breve de passagem, onde a dor e o prazer se encenam sem jamais tocar o âmago. A carne é transitória, moldada pelo tempo e pelo vento, e ainda que se creia soberana, não passa de sombra que se dissipa. O corpo é o eco, não a voz, é o reflexo, não a fonte.
Chuta o corpo, então, para ver se ele sente algo, e encontrarás apenas silêncio, vazio que não responde. Pois a morte não se abala com o açoite da matéria, ela não se curva ao impacto da carne. O corpo cai, mas a essência permanece, intocada, invisível, eterna. O que se desfaz é apenas a veste, não o que nela habita.
A essência da vida está na alma e é ela que sente e tudo contém, guardando memórias, sonhos e dores que não se apagam. A alma é o receptáculo do infinito, o sopro que não se extingue, o fogo que arde sem consumir. É nela que repousa o sentido, é dela que brota a verdade. O corpo pode se perder, mas a alma se reencontra.
O corpo é apenas uma vestimenta, assim como as vestes que o encobrem, e como roupas velhas, um dia será deixado para trás. Mas a alma, nua e livre, seguirá seu caminho, sem peso, sem limite, sem fronteira. O corpo é barro, a alma é luz; o corpo é finito, a alma é eterna. E é na alma que reside o sentir, o viver, o ser.
By Rick Steindorfer 14/06/2026
By Rick Steindorfer
Enviado por By Rick Steindorfer em 14/06/2026
Alterado em 14/06/2026 Comentários
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