Rick Steindorfer (Ricardo Steindorfer Proença)

A luz que guia meus passos revela sempre um novo horizonte.

Textos


Quando o galo canta, a terra desperta em sua cadência antiga, lembrando que cada manhã é um chamado à vida. O som ecoa pelos quintais e faz vibrar o coração dos que ainda repousam, como se fosse um anúncio de esperança. O galo não canta por vaidade, mas por destino, e sua voz é o primeiro sinal de que o ciclo se renova. Entre sombras que se dissipam, o canto abre caminho para o dia. É o prelúdio da existência que insiste em florescer.

 

A aurora desponta com seu véu dourado, tingindo o céu de promessas e horizontes. O sol, tímido, se ergue como quem pede licença para iluminar o mundo. As cores se espalham em pinceladas suaves, e cada raio é um convite à renovação. A aurora não se apressa, mas chega sempre fiel ao seu papel. É o instante em que a noite se rende ao dia. É o sopro divino que reacende a esperança.

 

A cabra berra no curral, chamando atenção para sua fome e sua presença. O som rude é também parte da sinfonia da manhã, lembrando que a vida pulsa em cada ser. O berro ecoa como um pedido simples, mas essencial, pois a sobrevivência se faz nos detalhes. O homem que escuta sabe que ali há responsabilidade. A cabra é testemunha da rotina que nunca falha. É o grito da natureza pedindo cuidado.

 

O passarinho gorjeia entre os galhos, trazendo leveza ao cenário que se forma. Seu canto é diferente do galo, mas igualmente necessário, pois traduz alegria. O gorjeio é poesia pura, feita de notas que não se aprendem em livros. É a música que embala o despertar da terra. O passarinho não canta por obrigação, mas por júbilo. É o sopro da liberdade que se espalha no ar.

 

A criança chora em sua inocência, lembrando que a vida também começa frágil. O choro é sinal de presença, de necessidade, de vínculo. É o som que convoca o cuidado e desperta o amor. A criança não sabe ainda das dores do mundo, mas já ensina sobre responsabilidade. Seu choro é a primeira linguagem da alma. É o chamado que une corações em ternura.

 

O vaqueiro levanta para o cavalo selar, pois o trabalho não espera. Seus gestos são firmes, repetidos ao longo dos dias, como parte de um ritual. O cavalo, companheiro fiel, aceita o peso da sela e se prepara para a lida. O vaqueiro sabe que sua força está na disciplina. O campo exige presença e coragem. É o homem que se ergue junto ao sol nascente.

 

O gado muge em coro, preenchendo o ar com sua voz grave. É o som da coletividade, da vida que se move em rebanho. O mugido é sinal de fome, de rotina, de continuidade. O vaqueiro escuta e entende, pois ali está sua missão. O gado é riqueza, mas também responsabilidade. É o eco da terra pedindo sustento.

 

A vaca cede o leite, generosa em sua dádiva diária. O líquido branco é alimento, é força, é sustento para famílias inteiras. O ato é simples, mas carrega grandeza, pois traduz a parceria entre homem e natureza. A vaca não nega sua oferta, pois é parte do ciclo da vida. O leite é símbolo de nutrição e esperança. É a seiva que alimenta gerações.

 

A existência brilha em cada detalhe, seja no canto, no choro ou no mugido. Tudo se conecta em uma teia invisível de significados. O brilho não está apenas no sol, mas em cada gesto que compõe o dia. A vida é feita de sons, de cores, de movimentos que se repetem. É o espetáculo silencioso que se renova a cada manhã. É a certeza de que há sentido em continuar.

 

E tudo novamente se inicia, como se fosse a primeira vez. O ciclo não cansa, não falha, não se interrompe. Cada manhã é uma promessa cumprida, cada som é parte da sinfonia da existência. O homem, o animal, a criança, todos participam dessa dança eterna. O início é também continuidade, e a continuidade é também início. É a vida que insiste em florescer, sob o canto da aurora.

 

By Rick Steindorfer

Piracicaba, 24 de agosto de 2026

 

By Rick Steindorfer
Enviado por By Rick Steindorfer em 24/08/2026


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