

ENCONTRO DE ALMASQuando criança eu as via passar, silenciosas, envoltas em mistério, sem compreender quem eram de fato, nem o motivo de tão etéreo império. Apenas sentia a presença serena de quem cruzava o véu da existência.
Os anos vieram trazendo respostas, e a alma aprendeu a escutar melhor. Descobri que nem toda despedida apaga o afeto, a lembrança ou o amor. Há laços que o tempo não desfaz, pois pertencem ao eterno caminho.
Às vezes vêm os antigos ancestrais, movidos pela saudade ou proteção. Aproximam-se mansos dos que amaram, deixando luz, conforto e inspiração. São sementes da mesma árvore viva, unidas além da matéria passageira.
Outras vezes, olhos privilegiados conseguem alcançar o invisível jardim, onde espíritos e encarnados se encontram num instante que parece não ter fim. E o coração, tocado pelo sublime, reconhece presenças familiares.
Assim relata Emanuel sua vivência, ao encontrar-se com a doce Eliza. Não foi sonho, nem simples lembrança, mas um momento que a alma eterniza. Um diálogo tecido pela sensibilidade, entre dois mundos que o amor aproxima.
Se há mistérios que a razão não alcança, há sentimentos que os explicam melhor. Pois quem ama jamais desaparece, apenas segue por outro corredor. E, algumas vezes, retorna em silêncio, para lembrar que a vida é muito maior.
Ricardo Steindorfer Proença 01 de outubro de 2026
By Rick Steindorfer
Enviado por By Rick Steindorfer em 01/10/2026
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